domingo, 27 de fevereiro de 2011

O Louco e a Lua, cap. 3

Capitulo 3

Rafael demora alguns segundos até perceber o que aconteceu. Só a luz da lua fornecia alguma orientação ao rapaz assustado. Levanta-se e dirige-se para o hall de entrada. Aí, abre o quadro eléctrico para tentar trazer a electricidade de volta. Enquanto o explorava, de súbito, algo embate fortemente do lado de fora da porta e Rafael afasta-se num pulo. Lentamente, aproxima-se de novo do quadro. Tenta tudo, experimenta todos os interruptores, mas nada parece funcionar. O rapaz começa a entrar em pânico e tenta telefonar aos pais, mas o seu telemóvel acaba de ficar sem bateria. Procura a sala de estar em busca do telemóvel de casa. Em tempos, Rafael não viu qualquer utilidade neste telemóvel, pois para quê substituir o telefone de casa por um telemóvel? Agarra no aparelho e tenta telefonar aos seus pais, mas antes de estabelecer a chamada, ele ouve a porta de entrada a abrir e paralisa. O medo era tanto que não se conseguia mexer e o seu folgo tornou-se bastante ruidoso aos seus ouvidos. Luta para se mexer, esconde-se atrás do sofá e coloca o telemóvel em silêncio. A porta fecha-se e Rafael ouve passos secos dentro de casa. Tem medo de fazer qualquer ruído e por isso não telefona a ninguém. O intruso continua a explorar a casa e o telefone começa a vibrar. Entretanto, ouve-se a porta a abrir de novo e depois a fechar. Parece que o intruso saiu de casa. Ainda desconfiado, Rafael levanta-se lentamente, espreita a sala. Não está ninguém. Tenta atender a chamada, mas já foi tarde.

-Bom dia, está a ligar para a família Nóbrega…e se não sabe quem é a família Nóbrega…provavelmente não deveria estar a ligar! – Reproduzia o atendedor de chamadas. A mãe de Rafael gravou esta mensagem no dia em que mudaram de casa.

Rafael dirigiu-se para o atendedor.

-Está tudo bem? Tentei telefonar-te mas o teu telemóvel está sem bateria… De qualquer das maneiras, se estiveres a ouvir isto, então sabes que estou a caminho! – Dizia Raquel.

O rapaz tenta agora telefonar aos pais. Marca o número, inicia a chamada e leva o telemóvel ao ouvido. Ouve o primeiro “beep”…ouve o segundo…e é interrompido no terceiro pois sofre uma pancada na cabeça que o deixa inconsciente. O telefone cai juntamente com Rafael. A chamada ainda se mantém, mas ninguém atende…

Culpem os testes

Malditos testes...mal me têm dado tempo para escrever...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Louco e a Lua, cap. 2

Capitulo 2

Rafael lutou para adormecer. O seu temperamento calmo permitiu-lhe ficar calado sem se revoltar contra o novo vizinho. Mal sabia ele que a sua paciência teria um fim…

Os dias da vida de Rafael foram correndo normalmente. As discussões entre os seus pais eram menos frequentes, as relações com a sua namorada e amigos estavam melhores que nunca e sentiu algo que não sentia há muito. Sentiu-se realmente feliz.

Todas as noites Rafael deitava-se cada vez mais tarde. O velho louco continuava a gritar todas as noites e o rapaz tentava dar a volta a situação.

Calhou um dia, por azar, Rafael chatear-se com a sua namorada, os seus pais voltarem a discutir e deixar de se sentir tão feliz. Deitou-se cedo e não conseguiu dormir. Parecia estar tudo contra ele. Como se não bastasse, o velho louco prosseguiu mais uma vez com o seu “ritual”, e foi desta vez que Rafael não aguentou. Chateado, levantou-se e foi protestar para a varanda.

-A lua! Tão brilhante! – Continuava o estranho vizinho

-Hei! Não sei como faziam na sua casa para o educar, mas a mim ensinavam a deitar cedo, apagar as luzes e a fechar o raio da matraca! – Gritou Rafael.

O louco vizinho olhou para o rapaz e afastou-se da janela da sua varanda, desaparecendo entre os cortinados. Rafael sentiu-se aliviado e, enquanto se dirigia para o seu quarto, encontrou os seus pais.

- Filho, eu e o teu pai vamos passar esta noite num hotel…não é fantástico? – Perguntou a sua mãe com um brilho nos olhos. Parecia que já estava todo resolvido. Eram um casal estranho…podiam estar a discutir num momento e no seguinte estarem a planear passar a noite fora.

-Claro – Respondeu com indiferença.

-Muito bem então! Nós vamos sair agora, porta-te bem e nada de festas cá em casa!

-Sim mãe…

Rafael foi para o quarto, deixou os pais saírem e telefonou para a sua namorada.

-Hum…Olá hum… desculpa ter sido um idiota contigo hoje…ás vezes parece que me esqueço do quanto és importante para mim…já devia saber que não vale a pena discutir por coisinhas insignificantes quando gostamos um do outro…Desculpas? – Disse Rafael. O pobre rapaz estava tão nervoso que nem se apercebeu que a sua namorada não tinha ainda atendido.

-Estou? – Disse Raquel

-A…hum…eu… - Gaguejou.

-Não digas mais, estás desculpado.

Rafael sentiu-se humilhado por ser tão previsível e chegou a sentir-se tentado a dizer que tinha apenas telefonado por engano, mas não o fez.

-Pois…hum… O…os meus pais saíram agora de casa e pensei que talvez quisesses vir… - As coisas para o lado de Rafael já estavam a melhorar

-Claro que quero! Vou só ver se convenço os meus pais a deixarem-me dormir a casa de uma “amiga”. Já te digo alguma coisa.

-Está bem então, até já, beijinhos. E desculpa!

-Até já, beijinhos. Amo-te!

Rafael afasta o telefone da sua cara. Ao carregar no botão para terminar a chamada, o seu andar fica às escuras. Aconteceu algo com a luz…

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O Louco e a Lua, cap. 1

Capitulo 1

A lua. Aquela esfera branca no céu nocturno capaz de controlar marés. Um símbolo em muitas lendas e rituais com centenas de anos, nos quais ainda hoje muitos acreditam. A sua personalidade incerta revela várias faces. Por vezes quarto crescente, por vezes quarto minguante, por vezes lua cheia…e foi sob essa lua, numa habitação em Faro, que os pais de Rafael discutiram mais uma vez horas a fio.

O pobre rapaz estava farto daquela confusão, todos os dias se ouviam gritos e insultos no andar onde morava. Dirigiu-se para a varanda, fechou a porta e abriu a janela. Conseguia sentir o típico frio de Inverno na ponta do seu nariz, guiado por uma leve brisa…mas não existia qualquer ruído. Rafael vivia no quarto e ultimo andar de um prédio de classe média. Pela sua varanda, ele conseguia ver os outros prédios à sua frente e lados. Existia um parque infantil rodeado pelos prédios daquela zona. Por vezes, Rafael olhava para ele e lembrava-se da sua infância, mas tinha completado os seus dezassete anos há dois meses. A sua mente estava vazia até que algum vizinho começa também a gritar.

-Olhai a Lua esta noite! Vede como é bela e como nos ilumina! Fomos abençoados por Deus quando a criou assim tão magnífica!

O rapaz olhou para a sua esquerda e viu que o sei bairro tinha agora um vizinho novo. Era um velho de voz grave, não muito alto mas com uma postura imponente que o fazia aparentar maior. Tinha vestido um roupão e olhava fixamente para a lua enquanto falava como se dirigisse para uma plateia recheada de pessoas.

-Hei! – Disse o vizinho do andar de baixo de Rafael. – Estou a ver que já reparaste no nosso novo amigo… - Disse com um ar sorridente.

- Igor! Já viste? Que está ele a fazer? – Perguntou Rafael contente por ver o seu amigo

- Não sei, mas pelo que ouvi na reunião de condóminos, ele foi expulso do seu antigo prédio por fazer demasiado barulho. Parece que passa as noites todas assim, a assombrar os vizinhos…e agora é a nossa vez…