sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Louco e a Lua, cap. 2

Capitulo 2

Rafael lutou para adormecer. O seu temperamento calmo permitiu-lhe ficar calado sem se revoltar contra o novo vizinho. Mal sabia ele que a sua paciência teria um fim…

Os dias da vida de Rafael foram correndo normalmente. As discussões entre os seus pais eram menos frequentes, as relações com a sua namorada e amigos estavam melhores que nunca e sentiu algo que não sentia há muito. Sentiu-se realmente feliz.

Todas as noites Rafael deitava-se cada vez mais tarde. O velho louco continuava a gritar todas as noites e o rapaz tentava dar a volta a situação.

Calhou um dia, por azar, Rafael chatear-se com a sua namorada, os seus pais voltarem a discutir e deixar de se sentir tão feliz. Deitou-se cedo e não conseguiu dormir. Parecia estar tudo contra ele. Como se não bastasse, o velho louco prosseguiu mais uma vez com o seu “ritual”, e foi desta vez que Rafael não aguentou. Chateado, levantou-se e foi protestar para a varanda.

-A lua! Tão brilhante! – Continuava o estranho vizinho

-Hei! Não sei como faziam na sua casa para o educar, mas a mim ensinavam a deitar cedo, apagar as luzes e a fechar o raio da matraca! – Gritou Rafael.

O louco vizinho olhou para o rapaz e afastou-se da janela da sua varanda, desaparecendo entre os cortinados. Rafael sentiu-se aliviado e, enquanto se dirigia para o seu quarto, encontrou os seus pais.

- Filho, eu e o teu pai vamos passar esta noite num hotel…não é fantástico? – Perguntou a sua mãe com um brilho nos olhos. Parecia que já estava todo resolvido. Eram um casal estranho…podiam estar a discutir num momento e no seguinte estarem a planear passar a noite fora.

-Claro – Respondeu com indiferença.

-Muito bem então! Nós vamos sair agora, porta-te bem e nada de festas cá em casa!

-Sim mãe…

Rafael foi para o quarto, deixou os pais saírem e telefonou para a sua namorada.

-Hum…Olá hum… desculpa ter sido um idiota contigo hoje…ás vezes parece que me esqueço do quanto és importante para mim…já devia saber que não vale a pena discutir por coisinhas insignificantes quando gostamos um do outro…Desculpas? – Disse Rafael. O pobre rapaz estava tão nervoso que nem se apercebeu que a sua namorada não tinha ainda atendido.

-Estou? – Disse Raquel

-A…hum…eu… - Gaguejou.

-Não digas mais, estás desculpado.

Rafael sentiu-se humilhado por ser tão previsível e chegou a sentir-se tentado a dizer que tinha apenas telefonado por engano, mas não o fez.

-Pois…hum… O…os meus pais saíram agora de casa e pensei que talvez quisesses vir… - As coisas para o lado de Rafael já estavam a melhorar

-Claro que quero! Vou só ver se convenço os meus pais a deixarem-me dormir a casa de uma “amiga”. Já te digo alguma coisa.

-Está bem então, até já, beijinhos. E desculpa!

-Até já, beijinhos. Amo-te!

Rafael afasta o telefone da sua cara. Ao carregar no botão para terminar a chamada, o seu andar fica às escuras. Aconteceu algo com a luz…

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